terça-feira, 28 de junho de 2011

Namoro ou amizade?


Há pouco tempo, a Angi falou sobre o primeiro amor das crianças. Prefiro não repetir temas que já foram abordados nos blogs que acompanho. Ocorre que, muitas vezes, o tema é tão inspirador ou polêmico, que se torna inevitável repeti-lo, embora sob outro enfoque. Trouxe, então, mais uma vez o assunto para discussão porque considero muito importante falar sobre a sexualidade precoce.
A questão foi abordada no programa "Quebra cabeça" do GNT. Para exemplificar a matéria, a apresentadora, Chris Nicklas, trouxe as histórias de uma menina de 9 anos, que namorava há um ano e meio, e de um menino de 10 anos que namorava a distância.
Chris Nicklas entrevistou Ângela Bouth, psicóloga e psicanalista especializada em crianças, para dar sua opinião sobre a hora certa para cada fase e como lidar com a sexualidade infantil.
Entrevistou também os pais das crianças para que dessem a opinião sobre o namoro dos filhos. O pai do menino aprovava o namoro e orientava o filho. Já o pai da menina não apoiava o namoro e evitava falar sobre o assunto. As mães, tanto do menino como da menina, apoiavam os filhos e aprovavam os namoros.
No programa foram convidadas várias crianças para responderem algumas perguntas tiradas de uma caixinha. Questionadas sobre o que seria importante em um "namoro", todas responderam carinho, amor e dar presentes (consumo infantil, outro tema importante que pretendo falar um dia).
No final do programa, os dois protagonistas falaram sobre o que esperavam do futuro. Ambos pensavam em se casar com esses namorados, ter uma família, dois filhos...
Infelizmente, não consegui assistir ao programa e estou relatando as informações trazidas pela Angi.
A sexualidade precoce é um tema importante que me preocupa. Ainda não estou preparada para lidar com o primeiro amor do Henrique. Mas o assunto me fez refletir. Não quero incentivar algo que já é natural e espero que demore bastante para começar.
Observo que muitos pais, atualmente, incentivam esses namoros e acham “bonitinho” os filhos namorarem tão cedo. Lógico que o namoro nessa idade é ingênuo. Mas acho que namorar tão precocemente significa “pular” etapas importantes e amadurecer antes do tempo.
A infância é tão curta que não vejo nenhuma necessidade de encurtá-la ainda mais. A fase dos namoros chegará por si só, sem nosso incentivo. Na minha opinião, essa fase deve se iniciar somente na adolescência.
É natural que as crianças sintam até um certo “desprezo” pelo sexo oposto. As meninas acham os meninos bobos, e os meninos acham as meninas chatas. Por isso, normalmente eles se reúnem em grupos separados, o “Clube da Luluzinha” e o “Clube do Bolinha”. Esse distanciamento é necessário e saudável para que na adolescência eles comecem a enxergar um ao outro com interesse.
Muitos pais já perguntam para os filhos, de seis ou sete anos, se já têm namoradas na escola. Para mim, é um incentivo porque desperta precocemente um interesse na criança. No fundo ela deve pensar: se o meu pai (ou mãe) está perguntando deve ser algo bom que devo fazer.
Sinceramente, prefiro que meu filho jogue bola e brinque com os amigos por muito tempo. Espero que ele curta sua fase de ingenuidade e até ache as meninas chatas e bobas. Espero que ele as veja com algum interesse quando já estiver mais maduro. Incentivar para que?
Acho que quando se inicia a fase dos namoros é um caminho sem volta. E ele terá a vida toda para namorar, mas não para desfrutar a infância. A infância passa, e rápido.
Lógico que não quero ignorar o assunto. Quero ser companheira do meu filho, conversar, aconselhar. Só pretendo esperar a fase adequada. Para mim não é com 9 ou 10 anos. Nessa idade, prefiro que ele não enxergue o sexo oposto com algum interesse. E quando ele perguntar sobre namoro, vou falar: “Filho, isso é coisa de gente grande, um dia a gente conversa”. Vou tomar cuidado para não perguntar: “Filho, quem é essa menina, é sua namorada?” Melhor dizer: “Que legal, Henrique, ela é sua amiguinha?!” Essas pequenas atitudes, a meu ver, podem ter algum reflexo no interesse dele sobre o assunto.
Se mesmo assim, ele começar a namorar cedo, claro que vou apoiar. Não quero que ele pense ser algo errado. Mas sempre vou tentar distrai-lo com as coisas próprias da idade. Por exemplo, incentivar uma reunião de amigos, futebol e jogos eletrônicos.
Acho que a atitude dos pais deve ser preventiva, ou seja, retardar o interesse, e não estimulá-lo. Depois que a criança assume o “namoro”, a situação modifica. O jeito é conversar bastante com a criança para saber o que ela entende por namorar. Os pais precisam aceitar e demonstrar que compreendem o sentimento da criança, e não polemizar o assunto. Melhor agir naturalmente e estabelecer quais os limites saudáveis para um namoro.
O diálogo entre pais e filhos sempre deve ser aberto. Só acho que não devemos incentivar a “brincadeira” e antecipar um comportamento que não é adequado para a idade.
Juro que não é ciúme. Mas me preocupo bastante com a sexualidade precoce. Acho que a mídia incentiva a sexualidade de maneira imprópria, seja no conteúdo dos programas televisivos, seja na divulgação de produtos e roupas que não são adequados à faixa etária a que se destinam. Os programas estão cada vez mais “juvenis” do que “infantis”. Com isso, as crianças mais novas acabam incorporando comportamentos adolescentes. Cabe aos pais tomar alguma atitude.
Para mim, infância é momento de brincar, e não de assumir compromissos como um namoro!
Será que sou muito careta?!
E vocês, já pensaram sobre o assunto? Será que a sexualidade precoce não decorre, em grande parte, do incentivo por parte da mídia e dos pais? O que podemos fazer para retardar um pouco? Ou vocês acham bonito e inofensivo quem troca juras de amor com essa idade?
Respeito todas as opiniões. Só estou apresentando a minha para uma discussão.

6 comentários:

Angi disse...

Adoro seus textos, amiga!
Sempre com muitas informações,e sua opinião que é muito parecida com a minha!
Eu concordo que a mídia, e os pais incentivam esse interesse precoce!
E acho importante a criança brincar muito antes de qualquer coisa, a infância é tão curta mesmo!
Acho que a criança nem tem noção de que um relacionamento assim é total pular etapas, e com certeza os pais deveriam intervir para que isso se tornasse apenas uma amizade, mas claro, se de fato acontecer, devemos apoiar e estarmos atentos porque quem ama sofre, e não deve ser legal dor de amor na infância!rs
Beijos amiga
Bom dia para você, e parabéns pelo texto!
Angi

Chama a mamãe disse...

Oi Telma,
Tenho a mesma opinião. Detesto quando encontro com um casal que tem um menino e diz: "olha lá filhão sua namoradinha" ou pior chamar o Junior de "sogrão", os próprios pais acabam incentivando a sexualidade, imagina quando esse menino tiver 5 anos?!
Infância é para brincar e fazer amizades, vou prolongar o máximo que puder a infância da Elô.
Bjosssss

Mon Maternité disse...

Oi querida!!

Quando li o texto da Angi, até comentei por lá. Sou super mega extra contra! Eu me lembro de ter tido namoradinho na pré escola, tanto que fomos os noivos da festa junina, mas acho muuuito "errado"! Sabe porque ... minha mãe me ensinou uma coisa que acho muito correto: se fizermos uma coisa antes da hora, quando chegar a hora não terá o novo. Como assim?! Eu sempre quis pintar o cabelo, na verdade, fazer luzes. Minhas amigas faziam aquelas mechas, até coloridas com trezes anos e eu nada. Minha mãe dizia "luzes no cabelo é depois dos quinze". Eu esperei muito para fazer quinze anos e eu sonhava com isso. No dia seguinte ao meu aniversário de quinze anos fiz minhas tão sonhadas luzes. Isso me marcou! Agora, se tivesse feito com treze, quando eu "queria", nem tinha lembrança!

Acho que namorar quando criança é avançar coisas tão simples e sérias ao mesmo tempo. Já acho feio ficar perguntando se gosta de algum amiguinho da escola. Não é porque tenho uma filha. São valores. Tenho um primo que hoje está com 8 anos e cuidei dele desque que nasceu, era meio filho, meio irmão. Quando soube que minha tia estava incentivando esse tipo de coisa, fiquei decepcionada. Ele já "namorou" umas três meninas!

Então ... fica aqui meu desabafo!
Beijos, Má
www.monmaternite.blogspot.com

Funny Paper disse...

Gostei muito do seu texto e concordo com vc; me incomoda muito pais que ficam incentivando os filhos de 3,4 anos dizerem que a amiguinha é a namorada, que eles já se gostam desde que nasceram e bobagens desse tipo...

Aguardo sua visita no Funny Paper!

Bjs

Sil

Anônimo disse...

Oi Telma! Assisti ao programa e, particularmente, nao gostei do enfoque dado, principalmente no caso da menina. E nao pq ela eh mulher e mulher nao pode namorar c essa idade e homem pode. Nao sei, mas achei muita forcacao de barra, a mae achando lindo a menininha suspirar pelos cantos pelo "namoradinho". No caso do menino, me pareceu ser uma relacao de amizade, mas que, por serem de sexos opostos, tratavam como "namoro", mas achei mais ingenuo, porem nao mais aceitavel, ao meu ver.
O meu filho soh tem 2 anos e as pessoas ao nosso redor adoram dar namoradinhas p ele! Quem convive comigo e com ele sabe q eu nao gosto desses comentarios, mesmo q ele nao entenda absolutamente nada. E, como vc falou, nao eh ciume, simplesmente acho q tudo tem seu tempo e sua hora! E nos, pais, somos os principais responsaveis por essas antecipacoes de fases na vida de nossos filhos. Bjos e parabens por abordar tao bem o assunto! Adriana (do Theo e do Luca)

Dayane Cavalcante disse...

Namorar com 9, 10 anos???Sou totalmente contra e nunca vou incentivar meu filho a nomarar cedo!!Posso ser careta ou o que for!!Opinião formadissíma!