sexta-feira, 8 de abril de 2011

A decisão de engravidar


Uma das muitas lições que a vida me ensinou foi a de que a gente não decide engravidar. O que fazemos é simplesmente aumentar ou diminuir as possibilidades. Engravidar é algo divino e acontece na hora que tem que acontecer, seja com ou sem planejamento.
Sempre fui uma pessoa organizada e com a vida bem estruturada e planejada. Eu até me orgulhava de ser assim. Namorei muitos anos antes de casar, casei logo depois de terminar a faculdade e ter um emprego estável, me aperfeiçoei profissionalmente, cursei pós-graduação, fiz muitas viagens com meu marido, esperei a vida financeira melhorar um pouco e sempre preveni a gravidez. A vontade de engravidar só veio depois de muito tempo quando eu já tinha completado 30 anos. Foi quando pensei: é agora, decidi engravidar. Então a vida me deu esta grande lição: a decisão não é minha.
Foram vários meses de tentativas, eu fazia as contas do período fértil, concentrava as relações neste período e nada. Não entendia porque tantas pessoas engravidavam sem querer, às vezes com apenas uma relação. Por que eu que tinha marido e vida planejada e estruturada não conseguia? Foi me dando uma angústia misturada com sentimento de fracasso. Fui a uns três médicos, que me informaram que era normal demorar seis meses, um ano ou até dois para engravidar, que não era necessário fazer nada, só esperar. Então eu argumentava se não era melhor fazer logo alguns exames, só para prevenir se não havia alguma dificuldade. E se eu tivesse algum problema, ou o meu marido, e se não pudéssemos de fato ter um filho?
Para mim era uma angústia porque eu já estava completamente absorvida pela maternidade, só pensava nisso, já estava até lendo livros sobre gravidez e criação de filhos. Várias amigas já tinham engravidado recentemente, algumas com planejamento e outras sem. Então sentia um pouco de inveja delas, por que algumas engravidaram até mesmo sem querer e eu que queria não engravidava?
Fui a um terapeuta japonês que me ajudou muito com tratamento de acupuntura e florais. Fiquei um pouco mais tranquila. Também fui a um especialista em fertilidade que me disse que era muito cedo, mas se fosse para eu ficar mais calma ele já solicitaria alguns exames de sangue. Mas o fundamental foi entregar nas mãos de Deus!
Todos os dias eu rezava, pedindo muito a Deus para ser mãe. Foi quando decidi mudar as minhas orações. Parei de pedir e todos os dias eu falava com Deus assim: “O Senhor já sabe do meu desejo de ser mãe, está nas Tuas Mãos este desejo, então eu peço que o Senhor me ensine a esperar a hora certa, tire as minhas angústias, as minhas dúvidas e as minhas preocupações. Senhor, me prepara para ser mãe na hora que o Senhor planejou para mim!”
Foi assim que aconteceu. Eu até estava com a relação dos exames de sangue. Precisava esperar o dia da menstruação para fazer os exames no dia certo. Então a menstruação não veio. Eu estava grávida!
Este foi um grande ensinamento que eu precisava ter na vida, que nem tudo está no meu controle e no meu planejamento. Na verdade, as coisas que realmente têm importância não estão no nosso controle, principalmente os filhos. Em muitas outras oportunidades como mãe pude perceber isso.
Então aprendi também outras lições, que o fato de o bebê dormir a noite toda, ou de comer bem, ou de andar ou falar cedo, ou de ser uma criança agitada ou tranquila, ou de adoecer muito ou pouco, não dependiam de mim como mãe. É verdade que muitas mães contam isso como vantagem, mas o mérito não é das mães. Não podemos criar expectativas e encará-las como sucesso ou fracasso. Ser mãe sempre será um desafio constante, uma aventura num mundo novo que não está no nosso controle. E justamente porque não está no nosso controle que a maternidade é a experiência mais rica que alguém pode ter na vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Telma,
Adorei o seu blog, os textos estão maravilhosos, claros e verdadeiros. Esse em especial fala muito do processo do "engravidar". Gostaria de publicá-lo no Boletim do Berçário, em sua edição especial do dia das mães, assim pesso sua autorização. Beijos
Melice Gonçalves

Telma disse...

Oi Melice, autorização mais do que dada! Vou adorar! Beijos, Telma.