sábado, 23 de abril de 2011

A adaptação na escolinha


Quando o Henrique perdeu o direito de frequentar o berçário do meu trabalho, já tinha decidido colocá-lo em uma escolinha ao invés de deixá-lo em casa com uma babá.
A escola tem muitos pontos positivos. Lá a criança fica sob os cuidados de pessoas que tem capacitação e conhecimento. Não sei como eles conseguem fazer tanta coisa com criança pequena, mas tem aula de música, de artes e de psicomotricidade. A criança se desenvolve e se socializa. Notei que o Henrique começou a falar várias palavras novas. No meu caso também procurei uma opção em que a escola já fornece a alimentação, apesar de que no caso do Henrique isso não é muita vantagem...
A desvantagem é que a criança adoece mais. Já me informaram que a criança que vai a creche ou escola adoece até três vezes mais do que aquela que fica em casa. O Henrique realmente adoece, mas é dentro da normalidade. Quando isso acontece, a vovó fica com ele com muito gosto e por isso fico tranquila.
A adaptação do Henrique não foi fácil, mas foi rápida. Também não fiquei apreensiva porque eu já tinha passado pela experiência do berçário. Sabia que seria muito bom para o Henrique e que ele iria se acostumar, então não tive nenhuma pena em deixá-lo chorando nos primeiros dias.
A adaptação é um período difícil tanto para o bebê como para a mãe. Para a mãe é muito difícil confiar os cuidados do filho a outra pessoa. Ficamos pensando se estão cuidando mesmo direito e se o filho não está passando alguma dificuldade ou sentindo a nossa falta. Para o filho também é difícil principalmente porque é um lugar novo com pessoas que ele não conhece. Eles choram de saudade dos pais, mas também choram para fazer um pouco de manha. Acho que eles choram para ver se a gente desiste de deixá-los lá porque é tão bom ficar com a mãe e o pai.
Quando eu escolhi a escola, comecei a explicar para o Henrique que ele iria para a escolinha porque ele já era grande para ficar no berçário, que o lugar era muito legal e que tinha parquinho, novas tias e amiguinhos. Quando comprei o uniforme, mostrei e expliquei que era para usar na escolinha. A Didi deu a mochila e também fizemos aquela festa. Fui explicando tudo para ele tentar reunir as informações na cabecinha dele, mas lógico que ele não entendeu muito bem o que iria acontecer.
No primeiro dia, ele ficou bem apreensivo e quando o deixei na porta da sala ele agarrou no meu braço e começou a chorar muito. Lógico, coitado, que entendi perfeitamente. Ele não conhecia a escola nem as professoras. A professora titular já tinha me explicado que era para eu deixá-lo assim mesmo e que é pior a gente ficar com pena e demorar demais para sair da sala. Então a gente precisa explicar que ele vai ficar, que a mamãe vai trabalhar e volta depois. E se ficamos com pena eles percebem na hora e tudo fica mais difícil para ambos.
Eu já estava bem preparada, então fiquei muito tranquila. Sabia que essa fase iria passar. Quando fui buscá-lo, a professora disse que ele tinha chorado algumas vezes e que pedia bastante colo.
No segundo dia ele foi mais animado, mas quando viu a escola começou a chorar muito. Então conversei com ele: “Henrique, a mamãe queria muito ficar com você, mas a mamãe tem que trabalhar. E você é grande, não pode mais ir para o trabalho da mamãe porque lá só tem bebê. Então você vai ficar aqui na escolinha enquanto a mamãe trabalha e depois a mamãe vem buscar você”. Ele escutou e parou de chorar na mesma hora, mas ficou com a cara bem triste. Quando chegou na porta da sala, ele começou a chorar de novo, mas deu os braços para a professora e me deu tchau chorando. Parecia que queria dizer: “Tudo bem mamãe, se não tem jeito vou ficar, mas tudo isso é muito triste”.
Então ele ficou chorando todas as vezes na hora que ia deixá-lo mais ou menos por uma semana. Depois parou de chorar, mas não ficava muito feliz. Só que a professora me dizia que logo ele já estava brincando e nem se lembrava mais.
Hoje ele está feliz da vida e ama a escolinha. Adora colocar o uniforme, pega a mochila dele todo feliz e dá tchau para a empregada. No carro, quando ele vê a escola de longe já grita: “Oba!”. Chega na sala me dá beijo e tchau e vai abraçar as três titias. Nunca mais chorou nem pediu para ficar comigo. E quando volto para buscá-lo ele está muito feliz e todo suado de tanto brincar. Então ele vem correndo me abraçar, às vezes tenta me mostrar alguma coisa ou contar algo que fez, abraça e beija todas as titias. Quando vamos embora ele dá “Tau” (tchau) e “Boa oite” (boa noite) para a escolinha.
Seja qual for a opção, escola ou babá, precisamos fazer uma boa escolha e sentir confiança em quem vai cuidar do nosso filho. Temos que conversar e passar segurança para a criança porque ela tem que confiar que estamos fazendo o melhor por ela. Se ficamos com pena e inseguras, a criança percebe e fica ainda mais triste. Entendo que é um período difícil, mas que passa bem rápido e depois só temos alegrias.

Um comentário:

Karla Sousa disse...

Qual escola você escolheu? Estou super em dúvida, vou visitar a Kingdom kids, mas gostaria de outras indicações.