segunda-feira, 11 de abril de 2011

A confiança no pediatra

Admiro muito todos aqueles que escolheram a medicina como profissão, o cuidar da saúde e da vida. Mas dois médicos, sem dúvida, são os mais importantes: o obstetra e o pediatra. São eles que cuidam do nosso tesouro e também da nossa mente um pouco perturbada de mãe. Ao obstetra confiamos a nossa saúde e a do nosso filho e temos que ter a confiança absoluta de que ambos estamos protegidos e bem cuidados. O pediatra é tudo isso e muito mais. É quase um segundo pai ou segunda mãe. É também psicólogo e amigo. Eu mesma só fico segura quando a pediatra olha o Henrique e diz que está tudo bem.
Antes mesmo de o Henrique nascer eu já tinha pegado a indicação de vários pediatras, todos excelentes. Mas o que é excelente para uma mãe, pode não ser para outra. Temos que sentir confiança, e confiança é algo muito particular.
O primeiro pediatra que levei o Henrique era muito simpático e experiente. Fiquei com ele por cinco meses. Só que ele era tão tranquilo que não entendia as minhas inquietações de mãe de primeira viagem. Ele sempre dizia que estava tudo bem. Para ele se o Henrique estivesse crescendo estava ótimo, não importava se ele tinha cólica, não dormia direito, se não estava aceitando bem a comida.
Pode parecer piada, mas a minha decisão em mudar de pediatra foi por causa do cocô! É que o Henrique ficou três dias sem fazer cocô, muito incomodado e eu fiquei nervosíssima e precisei ligar. Pode ter mãe que encare com mais tranquilidade e não fique preocupada (agora até sou assim), mas eu precisava de pelo menos uma palavra de atenção e consolo. Então liguei para o pediatra e pude perceber que ele achou um absurdo eu ter ligado por causa disso. Não me deu a mínima atenção. Percebi que eu o estava incomodando e muito.
Então mudei para a Dra. Walquiria, que passou a ser minha terceira mãe (depois da minha e da minha sogra). Encontrei nela, além da experiência, muita paciência, sabedoria e sensibilidade. Para mim, o fundamental é que ela encara o ritmo do desenvolvimento com individualidade. Além disso, nunca parece que estou incomodando. Ela sempre diz: "Telma, se eu não quisesse atender telefonema, não teria escolhido esta profissão, pode me ligar sempre, nem que seja para você ficar mais tranquila".
Na primeira consulta com a Dra. Walquiria, expus toda a dificuldade que eu estava passando com a alimentação do Henrique. Então, muita sábia ela me disse: "Você já começou com a alimentação antes do tempo, não pressione o Henrique, deixa ele comer o que quiser, quando e quanto quiser. Ele só está na fase de experimentar. Não precisa nem fazer comida todos os dias se não estiver a fim. Um dia ele vai comer".
Ela sempre disse também que alguns bebês ficam prontos para a alimentação antes dos outros e que seis meses é só uma média. A curiosidade pela comida é o principal sinal. Tanto que alguns bebês, mesmo pequenos, parecem salivar quando nos vê comendo. Mas o Henrique não era assim. Disse que alguns bebês só querem tomar leite até os nove meses e que não tem problema nenhum nisso, pois um dia eles começam a comer.
Quando eu comentava sobre a quantidade que o Henrique comia, que eu achava pouco porque todos os bebês do berçário comiam o prato todo e o Henrique no máximo a metade, ela me mostrava o gráfico de crescimento do Henrique e me dizia: "Olha como ele cresce bastante e engorda bem, não importa a quantidade que ele come, para ele isso é o suficiente".
A comida amassada ela falou para eu também não me preocupar. Se ele fazia ânsia de vômito era porque ainda não estava preparado. Na greve de fome, ela só ficou um pouco preocupada porque ele perdeu peso. Então me passou um suplemento para colocar na mamadeira só até ele recuperar o peso. Na época, ela também discordava da opinião de deixar o Henrique passar fome. Ela dizia que o Henrique ainda era muito pequeno para isso e que eu deveria dar o que ele aceitasse, e se não aceitasse nada, deveria dar o leite, mesmo que fosse mais de duas vezes por dia. O principal era ele se alimentar para se desenvolver.
Então é isso, precisamos encontrar o pediatra ideal para nós. O ideal é aquele com quem nos sentimos seguras e temos a liberdade de ligar. Fiquei um pouco perdida na época da greve de fome porque me aconselhei com outra pediatra que achava que eu deveria deixar o Henrique com fome. Não existe linha certa ou errada, mas temos que seguir apenas uma. Se não, ficamos muito perdidas.
Hoje estou com a Dra. Walquiria, confio nela e nem quero procurar outra opinião. Recentemente levei o Henrique a um homeopata para fazer uma experiência. Gostei dele, mas não senti a confiança que sinto com a Dra. Walquiria. Fiquei pensando que se o Henrique tivesse qualquer coisa, não teria coragem de ligar para ele, ligaria mesmo para a Dra. Walquiria. Confiança não tem preço, nem receita.

2 comentários:

mariavitoriafbr disse...

É isto mesmo, Telma!
Você está certa: é a confiança o principal.
Aliás, em todas as circunstâncias da vida: confiança e respeito. Vá em frente!

Juliani de Paula disse...

Concordo plenamente com você!
Tive 2 obstetras na gestação, acredita que mudei de medico na 36 semana!!! Não confiava na minha medica ela se recusava a me dar todas as explicações sobre o parto!

O que me deixa mais tranquila em relação a doença do Eduardo é que sinto que ele esta muito bem assistido, tanto a pediatra como a cardio pediatra são muito atenciosas (além é claro da competência) me explicam tudo mil vezes, atendem o celular a qualquer momento e olha que eu ligo sábado a noite domingo de manhã, elas até me ligam pra saber como ele esta acredita?

Minha irmã indicou um pediatra, gostei mas não foi aquela coisa sabe? O que é bom pra um não é pro outro né!


Bjusss