sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os primeiros livros infantis


Gosto muito de leitura e tenho um pouco de receio com tecnologia em excesso. Fico pensando se no futuro nossos filhos só vão utilizar iPad e confesso que isto me dá um pouco de angústia. Adoro ler um livro de verdade, a leitura é muito mais prazerosa. Lógico que a leitura virtual também tem o seu valor, principalmente por causa da facilidade de acesso às informações. Para mim uma leitura não substitui a outra. Então, assim que possível, quis introduzir o Henrique no mundo dos livros.
Quando o Henrique tinha pouco mais de um ano já comecei a comprar alguns livros, sem compromisso de que ele entendesse qualquer história. Era só para instigar a curiosidade, aprender a passar as páginas e prestar atenção nas figuras.
Comecei com livros de pano com sons e livros de capa dura com abas e efeitos sonoros. Ele se interessou bastante, mas o deixei muito à vontade para pegar o livro na hora que quisesse e sem a obrigação de ver todas as folhas ou seguir a ordem do livro.
Nessa primeira fase, o livro precisa ter algum atrativo. A história tem pouca importância. Devemos procurar livros com figuras que chamam a atenção e se tiver algum som, melhor ainda.
Gostei muito da “Coleção Bebê Achou”, da Editora Caramelo. O livro ajuda a estimular a curiosidade e o desenvolvimento cognitivo-motor da criança. Nesta coleção, o bebê se diverte ao levantar as abas, procurando diversos objetos ou animais coloridos escondidos. Quando a aba levanta, além de ver o brinquedo, a criança é surpreendida com um som diferente a cada página.
Outro livro interessante é “A Banda dos Animais”, pois é muito colorido e cada página tem um som de um instrumento diferente. O Henrique adora instrumentos musicais. Neste livro o que ele mais gosta é do som do tambor que ele até imita todo feliz: “tataratatatá”.
Um livro que parece bem simples, mas que tem um efeito maravilhoso é “O Livro dos Sentimentos” de Todd Parr. Ele traz imagens coloridas e atrativas para demonstrar os sentimentos que podemos ter: tristeza, raiva, alegria, solidão. Acho bem interessante trabalhar os sentimentos com a criança e gosto de fazer uma cara bem específica e engraçada com os olhos e os lábios para ele saber a diferença. É quase brincar de fazer careta. O Henrique adora, principalmente quando faço a cara de brava.
O livro “Seu Soninho, Cadê Você” é o melhor que já comprei. O livro é cheio de efeitos especiais, como abas e bichos que saltam das folhas. A história também é muito interessante: o Jacó, jacarezinho, não consegue pegar no sono e chama aos berros o seu soninho, atrapalhando todos os bichos da floresta. Os bichos ficam bravos, mas depois cantam uma música de ninar para o Jacó dormir. O Henrique até decorou algumas falas do livro: “Pára de berrar”, “cala a boca”. Ele adora quando os bichos ficam bravos e também imita o ronco do Jacó e mostra como o Jacó dormiu.
Os livros de fantoches também são bem interessantes. Tenho um que se chama “Peixinho quer brincar”. É bem bobinho, o Henrique gosta mesmo é do fantoche do peixinho. Coloco o dedo atrás, faço uma voz engraçada e fico mexendo o peixinho. Ele adora. Fantoche é uma brincadeira muito divertida para as crianças.
Minha última aquisição foi “A Casa dos Beijinhos”. O livro também tem abas e figuras lindas e aborda a questão do afeto. No final, o livro diz que o mais gostoso é o beijinho do papai e da mamãe. O Henrique também já decorou. Quando pergunto quem deu beijinho no neném, ele diz o papai e a mamãe. Então ele também dá um beijinho no neném que é o cachorrinho do livro.
Coloquei os livros do Henrique em uma prateleira em que ele mesmo tem acesso para pegar quando tem vontade. Tento fiscalizar para ele não se machucar e também para preservar os livros. Mas se estragar não tem problema, quero que ele tenha um pouco de liberdade para explorar e brincar. Vale a pena! Quem quiser deixar aqui alguma indicação, vou adorar!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A birra na hora de comer


Sendo mãe de um filho que sempre me desafia na alimentação, preciso separar duas situações muito distintas: a falta de apetite e a birra na hora de comer.
Fazer o Henrique comer é uma arte e um exercício de paciência, criatividade e autocontrole. Tenho que seguir algumas regras para a coisa fluir. Deixo ele comer sozinho na cozinha com a porta fechada. Se ele ficar vendo o movimento da casa ou das pessoas, distrai e não quer comer mais. Sempre coloco alguns brinquedos na cadeirinha para ele ficar entretido e preciso variar sempre. Também tenho que esconder os lanches (bolo, biscoito, pão). Às vezes coloco a comida em um prato diferente ou mudo a colher para ele achar interessante. E o mais importante é deixar ele mexer na comida e tentar pegá-la com as mãos ou a colher.
Aprendi com o tempo a manter a calma quando o Henrique não está com apetite e não quer comer ou quer comer pouco ou só quer determinados alimentos que ele prefere. A birra já é algo muito diferente e ele já consegue fazer muito bem.
Quando o Henrique está tranquilo e não quer comer mais, ele começa a bater palmas para dizer que terminou, ou balança a cabeça para dizer que não quer mais e empurra o prato. Mas quando ele quer fazer birra, não tem limite.
Às vezes ele começa a jogar as coisas no chão, ou pior ainda, pega a comida com as mãos e deixa cair quase tudo em cima da roupa ou então pega a comida com a colher e começa a jogar tudo para cima. É um teste para os meus nervos.
Quando ele está assim, chamo a atenção e tiro ele da cadeirinha imediatamente. Não acho engraçado e não dou risada. Mas percebi que se eu ficar muito irritada, e quase sempre fico, ele gosta e acha engraçado. Então fica repetindo o comportamento só para provocar essa reação em mim.
Algumas vezes também ele faz birra quando quer comer algum lanche ao invés de comida. Ele dá escândalo, mas não posso ceder. Digo que é hora de almoçar e não de lanche. Se não quiser a comida, fica sem comer nada. E às vezes ele fica sem comer nada mesmo.
Teve um dia que ele fez uma birra enorme na hora do almoço e foi para a escola sem comer nada. Não estava doente, nem tinha nenhum lanche à vista. Ele não queria comer naquela hora porque queria continuar brincando. Só que lá em casa tem hora para almoçar, se não chegamos atrasados na escola e eu no trabalho. Fiquei muito nervosa.
Nessas horas em que a gente está com os nervos a flor da pele, melhor mesmo é chamar outra pessoa, como a empregada ou a babá. Normalmente os filhos fazem mais birra com a mãe. Quando estou com pouco tempo ou muito irritada, passo a vez para a empregada. Quase sempre ela consegue muito melhor que eu. Mas tem dia que não tem jeito, nem assim funciona.
Precisamos então compreender que uma coisa é respeitar o paladar da criança e a falta de apetite, outra muito diferente é ceder por uma birra. Educar é difícil e exige nosso esforço até na hora da alimentação.
Quando o Henrique era bebê, eu ficava muito preocupada quando ele não comia nada. Agora o rapaz já vai completar 2 anos e precisa entender que hora de comer é hora de comer. No café da manhã e no jantar admito algumas trocas, mas o almoço é refeição sagrada em que só aceito que ele coma comida. Explico que está na hora e se ele não quer sempre ofereço outra opção que ele aceita melhor. Se tiver tempo, aguardo um pouco para ver se a fome aparece. Se mesmo assim ele não quer, paciência. Como me disse uma querida amiga: até hoje nunca se soube de alguém que tenha morrido por pular uma refeição.

sábado, 23 de abril de 2011

As primeiras viagens


Eu e o meu marido adoramos viajar. Quem não adora? Viajar é gostoso desde os preparativos, decidir o local, pegar as dicas com os amigos, ler sobre a cidade e planejar os passeios. Conhecer lugares interessantes e outra cultura, não tem nada melhor. São dias que valem pelo ano todo e marcam a nossa vida. De Pirenópolis a Paris, todos os destinos tem o seu valor.
Quando o Henrique nasceu, mudamos bastante o ritmo. Admiro os casais que levam a vida normal e conseguem viajar com os filhos já no segundo mês de vida, mas nós não fomos assim. Tínhamos receio de tudo e muito desânimo com o trabalho. Pensávamos no trabalho que o Henrique poderia dar no avião e na enorme quantidade de coisas para levar e ficávamos muito desanimados.
Então decidimos viajar pela primeira vez quando o Henrique já tinha um ano e um mês. A experiência foi muito boa, mas falar que a gente aproveitou a viagem, sinceramente não sei. O Henrique ainda não andava bem. Queria mesmo é ficar engatinhando pelo hotel, o que era muito difícil. Praticamente só ficamos no hotel e na praia da frente. O Henrique gostou da piscina, mas só conseguia ficar por meia hora. Não gostou nada do mar. Era um olhando o Henrique e o outro comendo ou andando sozinho.
Na segunda viagem o Henrique já estava com um ano e sete meses. Achamos que seria muito melhor porque ele já andava bem. Não foi nada disso. Já no avião o Henrique começou a dar muito trabalho e olha que levamos até DVD. No hotel nada agradava. Não queria ficar na piscina, nem no mar, dava escândalo no restaurante. O único lugar que ele ficava bem era na brinquedoteca. Ficamos pensando se o problema era o calor e estamos pensando em decidir por um próximo destino que não seja praia.
Esta semana fizemos uma viagem mais curta para visitar a tia Márcia. Pela primeira vez conseguimos relaxar e curtir um pouco mais a viagem. Não fizemos passeios, mas o Henrique deu menos trabalho e parece ter gostado da viagem. Adorou a tia Márcia e fez de tudo para fazer amizade com o au-au da casa. Mostrava os brinquedos para o au-au, dava bom dia e boa noite, mostrava o dodói para o au-au, fazia de tudo para chamar a atenção. Mas o au-au não estava de muito papo. Foi muito engraçado.
No nosso caso, aproveitamos pouco as viagens, mas não desistimos. Viajar com filho pequeno é difícil e requer muita disposição e planejamento. Mesmo assim vale a pena.
Viajar faz parte do desenvolvimento e do amadurecimento da criança. Cada viagem traz novas experiências e também novas conquistas. Na primeira viagem o Henrique aprendeu a cumprimentar as pessoas do hotel e na segunda começou a tomar suco sozinho segurando o copo. Ele também experimenta comidas novas, o que para nós é muito importante.
Cada viagem tem o seu aprendizado. Ainda viajamos pouco, mas sabemos que viajar é indispensável para o nosso convívio como família e também para o desenvolvimento do nosso filho. E ainda precisamos evoluir para viajarmos sozinhos sem o Henrique. Nessa parte, acho que cada casal tem o seu tempo. Ainda não conseguimos deixá-lo. É bom para o casal, quando o casal está preparado para isso. Acho que não devemos sentir culpa e nem cobranças. Tudo tem o seu tempo.

A adaptação na escolinha


Quando o Henrique perdeu o direito de frequentar o berçário do meu trabalho, já tinha decidido colocá-lo em uma escolinha ao invés de deixá-lo em casa com uma babá.
A escola tem muitos pontos positivos. Lá a criança fica sob os cuidados de pessoas que tem capacitação e conhecimento. Não sei como eles conseguem fazer tanta coisa com criança pequena, mas tem aula de música, de artes e de psicomotricidade. A criança se desenvolve e se socializa. Notei que o Henrique começou a falar várias palavras novas. No meu caso também procurei uma opção em que a escola já fornece a alimentação, apesar de que no caso do Henrique isso não é muita vantagem...
A desvantagem é que a criança adoece mais. Já me informaram que a criança que vai a creche ou escola adoece até três vezes mais do que aquela que fica em casa. O Henrique realmente adoece, mas é dentro da normalidade. Quando isso acontece, a vovó fica com ele com muito gosto e por isso fico tranquila.
A adaptação do Henrique não foi fácil, mas foi rápida. Também não fiquei apreensiva porque eu já tinha passado pela experiência do berçário. Sabia que seria muito bom para o Henrique e que ele iria se acostumar, então não tive nenhuma pena em deixá-lo chorando nos primeiros dias.
A adaptação é um período difícil tanto para o bebê como para a mãe. Para a mãe é muito difícil confiar os cuidados do filho a outra pessoa. Ficamos pensando se estão cuidando mesmo direito e se o filho não está passando alguma dificuldade ou sentindo a nossa falta. Para o filho também é difícil principalmente porque é um lugar novo com pessoas que ele não conhece. Eles choram de saudade dos pais, mas também choram para fazer um pouco de manha. Acho que eles choram para ver se a gente desiste de deixá-los lá porque é tão bom ficar com a mãe e o pai.
Quando eu escolhi a escola, comecei a explicar para o Henrique que ele iria para a escolinha porque ele já era grande para ficar no berçário, que o lugar era muito legal e que tinha parquinho, novas tias e amiguinhos. Quando comprei o uniforme, mostrei e expliquei que era para usar na escolinha. A Didi deu a mochila e também fizemos aquela festa. Fui explicando tudo para ele tentar reunir as informações na cabecinha dele, mas lógico que ele não entendeu muito bem o que iria acontecer.
No primeiro dia, ele ficou bem apreensivo e quando o deixei na porta da sala ele agarrou no meu braço e começou a chorar muito. Lógico, coitado, que entendi perfeitamente. Ele não conhecia a escola nem as professoras. A professora titular já tinha me explicado que era para eu deixá-lo assim mesmo e que é pior a gente ficar com pena e demorar demais para sair da sala. Então a gente precisa explicar que ele vai ficar, que a mamãe vai trabalhar e volta depois. E se ficamos com pena eles percebem na hora e tudo fica mais difícil para ambos.
Eu já estava bem preparada, então fiquei muito tranquila. Sabia que essa fase iria passar. Quando fui buscá-lo, a professora disse que ele tinha chorado algumas vezes e que pedia bastante colo.
No segundo dia ele foi mais animado, mas quando viu a escola começou a chorar muito. Então conversei com ele: “Henrique, a mamãe queria muito ficar com você, mas a mamãe tem que trabalhar. E você é grande, não pode mais ir para o trabalho da mamãe porque lá só tem bebê. Então você vai ficar aqui na escolinha enquanto a mamãe trabalha e depois a mamãe vem buscar você”. Ele escutou e parou de chorar na mesma hora, mas ficou com a cara bem triste. Quando chegou na porta da sala, ele começou a chorar de novo, mas deu os braços para a professora e me deu tchau chorando. Parecia que queria dizer: “Tudo bem mamãe, se não tem jeito vou ficar, mas tudo isso é muito triste”.
Então ele ficou chorando todas as vezes na hora que ia deixá-lo mais ou menos por uma semana. Depois parou de chorar, mas não ficava muito feliz. Só que a professora me dizia que logo ele já estava brincando e nem se lembrava mais.
Hoje ele está feliz da vida e ama a escolinha. Adora colocar o uniforme, pega a mochila dele todo feliz e dá tchau para a empregada. No carro, quando ele vê a escola de longe já grita: “Oba!”. Chega na sala me dá beijo e tchau e vai abraçar as três titias. Nunca mais chorou nem pediu para ficar comigo. E quando volto para buscá-lo ele está muito feliz e todo suado de tanto brincar. Então ele vem correndo me abraçar, às vezes tenta me mostrar alguma coisa ou contar algo que fez, abraça e beija todas as titias. Quando vamos embora ele dá “Tau” (tchau) e “Boa oite” (boa noite) para a escolinha.
Seja qual for a opção, escola ou babá, precisamos fazer uma boa escolha e sentir confiança em quem vai cuidar do nosso filho. Temos que conversar e passar segurança para a criança porque ela tem que confiar que estamos fazendo o melhor por ela. Se ficamos com pena e inseguras, a criança percebe e fica ainda mais triste. Entendo que é um período difícil, mas que passa bem rápido e depois só temos alegrias.

sábado, 16 de abril de 2011

Quando um já é o bastante


Penso muito sobre o segundo filho, se vou tê-lo ou não. Não que eu tenha ficado traumatizada com o primeiro filho. Cansada eu fiquei e muito. Mas amo ser mãe, na verdade amo ser a mãe do Henrique. Então me pergunto se só ele já não seria o suficiente.
Não é por causa do aspecto financeiro porque acho que sempre temos como adequar o orçamento dentro do possível. Mas ter um filho só é bem prático. Tem o pai e a mãe para olhar apenas um. Então podemos nos dividir para não sobrecarregar ninguém. Se precisamos sair, basta uma pessoa para dar uma mão. Fico pensando se fossem dois ou mais, seria impossível. Se apenas com um eu mal consigo respirar e fazer algo para mim, imagina com dois! E as brigas e o ciúme entre irmãos são tão estressantes, fico pensando se eu saberia lidar com isso.
Sei que também é muito bom ter irmãos para ter companhia e aprender a dividir. Mas dizer que filho único será sempre mimado e egoísta é algo muito ultrapassado. Acho que não existe regra. Conheço até muitas mães que conseguiram criar dois filhos únicos porque os irmãos não se dão bem e nunca dividiram nada. Aliás pessoas egoístas infelizmente existem aos montes, sejam filhos únicos ou não.
Então parece que quando você fala para alguém se não sabe se terá outro filho, parece que você é um E.T. Devem pensar que estou com depressão, ou sou preguiçosa ou que fiquei traumatizada. Isso também acontece quando alguém diz que vai ter o terceiro filho. Como assim foi planejado, que coragem?!
Por que, então, um só é pouco e três é demais? Por que dois seria o número ideal e perfeito? Na verdade, acho que não existe um ideal. O ideal pode ser um, dois, três, quatro ou até não ter filhos. Conheço alguns casais que fizeram a opção de não tê-los e os admiro bastante. Não podemos ter filho só por cobrança da sociedade. Também não devemos ter um segundo filho só para dar um irmão ao primeiro como se fosse um presente. E o terceiro filho pode sim ser muito desejado.
Algumas pessoas são bem práticas e se programam pelo prazo. Quando o primeiro está com um ou dois anos, engravidam do segundo para a diferença de idade não ser muito grande.
Aquele argumento de que o trabalho é um só, para mim não funciona. O trabalho é o de cada filho separadamente. Cada um exige os seus cuidados. Quem tem dois ou mais, tem o trabalho dobrado ou triplicado. Conheci uma mãe que me disse que ter dois filhos pequenos é como ter cinco, a mãe tem que ter olhos até nas costas. Mas a recompensa também é muito grande.
Então estou esperando Deus tocar o meu coração de mãe para me dizer se ainda cabe nele um outro filho. Assim como desejei tanto engravidar do primeiro, gostaria que o segundo, se ele vier, também seja muito desejado. E se isso demorar um ano, dois, três, quatro ou cinco, será o meu momento. Aí sim será o ideal para mim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O desânimo de sair de casa


Tenho algumas amigas que não sofreram modificação quanto à disposição de sair de casa depois que os filhos nasceram. Uma delas me disse que não aguentava ficar em casa nem no primeiro mês. Mas comigo não foi assim.
O Henrique nasceu em junho de 2009 no auge da gripe suína, quando ainda não havia a vacina. Então no início realmente eu tinha pânico de sair de casa por causa da doença. Tinha medo até do ônibus que a empregada pegava todos os dias.
Depois passou essa fase, mesmo assim o desânimo continuou. É que eu sentia um cansaço fora do normal. Sair de casa para mim era um suplício e dava muito mais trabalho para cuidar do Henrique do que em casa, onde tínhamos tudo estruturado, os brinquedos, o berço, o tapete de EVA, a comida. Em casa também um pode cuidar do bebê enquanto o outro descansa um pouco.
À noite então eu pagava para não sair. Imagina chegar em casa tarde e depois ter que levantar de madrugada. Além disso o Henrique acordava de vez às seis horas da manhã e não tirava longas sonecas durante o dia. Então eu só saia quando a data era realmente muito importante: casamento, formatura, aniversário de alguém muito querido.
Lógico que fui julgada. Acharam que era frescura demais, que deveria ter acostumado o Henrique a sair de casa desde cedo e que não devemos deixar de ter a nossa vida normal por causa dos filhos.
Eu não deixava de fazer as coisas por causa do Henrique, mas por mim mesma. Era muito difícil para mim. Sem falar que o Henrique começou a engatinhar aos sete meses e só foi andar bem com 1 ano e 2 meses. Então era uma fase muito trabalhosa e perigosa em que o melhor era mesmo ficar em casa.
O desânimo só começou a melhorar quando o Henrique já estava com 1 ano e 6 meses. O Henrique já dormia um pouco melhor e percebi que a minha energia começou a voltar ao normal. Também ele andava bem, brincava e se interessava por tudo, se divertia muito quando saia de casa, o que me deixou mais animada.
Tenho a plena convicção de que não tive depressão nem síndrome do pânico, mas algo aconteceu em mim e com a minha energia. Expliquei o que estava acontecendo para as avós, minha irmã e os amigos próximos, que me entenderam e iam me visitar sempre. Meu marido também me compreendeu. Apesar de adorar sair de casa, ele respeitou o meu momento. O fundamental nessas horas é encontrar o apoio de quem realmente tem importância para nós.
Agora posso dizer que a fase passou, voltei ao normal. Na verdade estou adorando sair de casa com o Henrique. Ele fica muito feliz e eu também. Espero que não aconteça com você, mas se acontecer não se preocupe, nem fique angustiada pensando que tem algo errado. É uma fase que vai passar um dia.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A chupeta e as manias na hora de dormir


O Henrique não é desses meninos que fica pendurado na chupeta o dia todo, mas ele gosta muito. E vamos admitir, a chupeta é um santo remédio. Não sei por que tantos pais nem querem tentar para não colocar a “mania” nos filhos.
Tive uma colega, muito disciplinada, que não queria colocar nenhuma mania nos filhos porque ela achava que seria muito difícil de tirar. Então ela não deu chupeta, nem mamadeira e acostumou os filhos a dormirem sozinhos no berço. Era uma meta dela e fico feliz que tenha conseguido.
Só acho que não devemos julgar o que é certo e errado, nem devemos nos martirizar por causa das “manias” dos filhos. O Henrique, por exemplo, só dorme com a chupeta e segurando a fralda de pano. Quando está com sono, ele vai até o quarto dele sozinho, pega a chupeta e o paninho e vem nos avisar. Também damos uma mamadeira antes de dormir para pânico das madrinhas dentistas (Laura - Didi, e Thati). Muito queridas elas me dizem que o papel delas é me orientar, mas sabem que a teoria e a prática são coisas muito diferentes.
O paninho foi uma “mania” colocada pela enfermeira que ficou comigo nos dois primeiros meses, a Dona Marli. Ela me disse que dava a fralda para todos os bebês e que isso era muito bom porque transmitia segurança. Antes de ir embora, ela me pediu que não tirasse a “mania” porque seria uma lembrança dela. Lógico que não vou tirar, que mal faz? E como é bom olhar para o paninho e me lembrar da Dona Marli.
Outro hábito que sempre tivemos na hora de dormir é pegá-lo no colo. Sentamos na cadeira de amamentação que até hoje fica no quarto e ficamos com ele no colo até que adormeça. É tão gostoso. Não acho que acostumar a dormir sozinho no berço deva ser uma obrigação com prazo a ser cumprido. Sempre pensei que um dia ele já ficaria incomodado de dormir no colo por si só, então decidi aproveitar o pouco tempo de colinho. Hoje, com 1 ano e 9 meses, ele já está querendo ir dormir sozinho. Pegamos ele no colo, mas ele aponta para o berço e pede para ir para lá.
Agora que está próximo de completar dois anos, me pergunto quando vou tirar a chupeta. Dizem que depois dos três anos, a chupeta já pode prejudicar os dentes. Então tenho um pouco de tempo. Só sei de uma coisa, quem não está preparada ainda para tirar a chupeta sou eu mesma. Vou deixá-lo ser bebê um pouco mais, qual é o problema? Quem sabe, no final do ano, o Papai Noel não faz uma proposta?
O filho de uma grande amiga minha também era muito apegado na chupeta e ela pensava que seria muito difícil de tirar. Até que um dia, com três anos ou quase isso, ele deu a chupeta para a mãe e disse: “Toma mamãe, eu já sou grande, não preciso mais de chupeta”. Que fofo! Tomara que seja assim com o Henrique também.
Se os filhos não tivessem nenhuma mania e fossem todos iguais, como que em um livro, qual seria a graça? Não teríamos nenhuma boa história para contar. E como já disse uma vez: não tem nenhum hábito ou mania que dure para sempre.